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mercado 00 Mercado - Postada em: 16/05/2018

Vendas de imóveis novos mais que dobraram em março

Na cidade de SP, foram comercializadas 2.613 unidades residenciais. Lançamentos também dispararam

 

O setor imobiliário da capital paulista mantém sinais de retomada em 2018. Em março, a cidade registrou 2.613 novos imóveis residenciais comercializados, um incremento de 80,5% sobre fevereiro e mais que o dobro (+111,9%) que o terceiro mês do ano passado. É o que afirma a nova edição da Pesquisa do Mercado Imobiliário do Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

Com o resultado, as vendas no segmento acumularam 5.753 unidades, uma vertiginosa elevação de 116,8% sobre idêntico período de 2017. Em 12 meses, as comercializações somaram 26.729 novos imóveis, um crescimento de 67,4% sobre o intervalo precedente (até março de um ano antes).

“Apesar do expressivo desempenho, cabe observar que a base de comparação ainda estava muito baixa, pois o mercado começou apresentar resultados mais consistentes apenas a partir de agosto do ano passado”, pondera Celso Petrucci, economista-chefe do sindicato.

Em termos financeiros, as vendas de imóveis novos perfizeram no terceiro mês do ano um VGV (valor geral de vendas) de R$ 1.173,1 milhões, ultrapassando em 53,2% o volume de igual etapa de 2017 e 81,5% superior a fevereiro, conforme atualização pelo o INCC-DI (Índice Nacional de Custo da Construção) de março de 2018.

A velocidade de comercializações medida pelo VSO (vendas sobre oferta) chegou a 11,9%, um forte aumento em relação a março de um ano antes (5,1%) e de fevereiro (6,8%). Já em 12 meses, o VSO chegou a 49,5%, , representando variação positiva de 2,3% em relação ao intervalo até fevereiro e 38,7% comparado ao período até um ano antes.

Procura

Mais da metade (58,2%) dos paulistanos que compraram imóveis novos no mês de março preferiu apartamentos de 2 apartamentos, com 1.521 unidades. Em seguida, ficaram os segmentos de 1 quarto (777 residenciais e participação de 29,7%), 3 dormitórios (223 unidades e fatia de 8,6 %) e 4 ou mais cômodos (92 espaços e 3,5%).

O vice-presidente de intermediação imobiliária e marketing do Secovi-SP, Flávio Prando, destaca que o crescimento das vendas estão atrelados aos produtos de 2 dormitórios na faixa de preço do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e também refletem o longo período de demanda reprimida.

“O aumento do teto, retornando ao patamar anterior, e a redução na taxa de juros dos financiamentos imobiliários anunciados pela Caixa e outros agentes financeiros permitem que mais famílias possam ser incluídas no mercado, viabilizando a aquisição de imóveis”, afirma.

Os apartamentos menores, com área privativa de até 45m², lideraram as comercializações em fevereiro, com 1.703 residenciais (65,2% do total). Quase metade (46,4%) das unidades adquiridas na metrópole tiveram preço médio de até R$ 240 mil, com 725 unidades.

Lançamentos

Assim como as vendas, os lançamentos em março superaram de forma significativa o desempenho de um ano antes. Dados da a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio) indicam que as construtoras e incorporadoras lançaram na cidade 1.266 unidades residenciais, quase quatro vezes mais (+273%) maior que fevereiro e 23,8% acima do mesmo mês de 2017.

Em 12 meses, foram lançados 31.176 imóveis na Capital, um salto de 55,7%. Por sua vez, no acumulado do primeiro trimestre, os lançamentos acumularam 2.355 residenciais, o que significou um declive de 7,9% face um ano antes.

No mês de março, os apartamentos de 2dormitórios tiveram a maior concentração de lançamentos, com 480 residenciais (37,9% do total) seguidos pelos de 1 quarto (422 imóveis e participação de 33,3%), de 3 dormitórios (233 unidades e 18,4%) e de 4 ou mais quartos (131 espaços e 10,4%).

Do total de imóveis lançados em março, 41,1% tiveram área útil de até 45m², com 521 apartamentos. Mais da metade (58,1%) das unidades lançadas tiveram tíquete de R$ 240 mil a R$ 500 mil, com 736 residenciais.

Oferta

No encerramento de março, São Paulo apurou um total de 19.307 imóveis novos disponíveis para venda, uma queda de 2,1% ante fevereiro e um declive de 16,6% frente ao terceiro mês do ano passado. A pesquisa considera como oferta as unidades na planta, em construção e prontas lançadas nos últimos 36 até março.

Na avaliação da entidade, Na avaliação da entidade, a situação gera preocupação em relação à oferta e à demanda, já que, desde maio de 2015, a quantidade de imóveis novos ofertados em São Paulo tem demonstrado quedas sucessivas.

Em momentos como esse, com bons resultados, os empreendedores normalmente estariam trabalhando para colocar os seus produtos no mercado. “No entanto, a concessão de liminar pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, suspendendo o direito de protocolo (projetos protocolados na cidade de São Paulo anteriormente à nova Lei de Zoneamento), paralisou a análise de projetos na prefeitura, impactando mais de 50% dos produtos. Com isso, deixaremos de lançar algo em torno de 18 mil unidades na Capital”, explica Emilio Kallas, vice-presidente de incorporação e terrenos urbanos do Secovi-SP.

“Continuamos nos empenhando para solucionar essa questão, pois os efeitos da suspensão impactam negativamente a produção e, consequentemente, o mercado imobiliário na Capital”, salienta o presidente do sindicato, Flavio Amary. “Dentre outras iniciativas, o Secovi-SP ingressou na causa como ‘amicus curiae’ (instituição que visa auxiliar nas decisões relevantes sobre o setor) e vem buscando dialogar com diversas autoridades no sentido de mostrar a extensão do prejuízo aos empreendedores e os impactos econômicos da medida, que pode paralisar o mercado em breve”, finaliza.

 

Informações: www.secovi.com.br

Texto por Luciano Emiliano